A poluição do ar é um dos 14 fatores de risco potencialmente modificáveis para demência reconhecidos pela Comissão Lancet de 2024, com uma fração atribuível populacional estimada em 3%.
Um dos principais componentes estudados é o material particulado, especialmente o PM2,5 — partículas muito pequenas, com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, presentes, por exemplo, na fumaça de queimadas e na queima de combustíveis.
Mas como a poluição pode afetar o cérebro?
A exposição a essas partículas pode desencadear inflamação sistêmica, aumentar a permeabilidade da barreira hematoencefálica e favorecer neuroinflamação. Partículas ultrafinas também podem alcançar o sistema nervoso pela via olfatória.
Além disso, existe um importante componente vascular: o impacto da poluição pode ser intensificado pela presença de doenças cardiovasculares.
A boa notícia: reduzir a exposição parece fazer diferença
Estudos apresentados pela Lancet encontraram associação entre a redução da poluição ao longo dos anos e menor risco de demência ou menor declínio cognitivo.
Por isso, esse fator traz uma mensagem importante: nem toda prevenção depende apenas de escolhas individuais. Melhorar a qualidade do ar também exige medidas coletivas e políticas públicas.
Referência: Livingston G, et al. Lancet. 2024;404:572–628. DOI: 10.1016/S0140-6736(24)01296-0.

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